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terça-feira, 16 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Indicação: Dois Irmãos

Quem tem irmãos sabe que quem diz que nunca brigou/bateu/espancou está mentindo. É bonito dizer que irmãos vivem em harmonia sempre, e é muito comum ver pais querendo disfarçar conflitos entre seus filhos perante à sociedade. Não digo que é impossível haver irmãos que se dão bem um com o outro, mas todos sabemos que em ao menos um momento algo sai errado.
Este livro de Milton Hatoum trata a relação entre dois irmãos, gêmeos, Omar e Yaqub. Um deles, inteligente e esforçado, especialmente em ciências exatas. O outro, apaixonado pela vida boêmia presente em Manaus, rei dos clubes e dos carnavais.
Um deles passa um tempo exilado no Líbano, e ao voltar, se antes era quieto, tornara-se fechado para o mundo exterior, buscando refúgio nos números, sendo atormentado pelo outro irmão, como se fosse um animal selvagem que foi domesticado.
Este romance te faz pensar em questões familiares, naqueles pózinhos que são mandados para baixo do tapete, mas que com os anos viram conflitos sérios, convertidos em catástrofes. Tal como Dom Casmurro que lança o eterno enigma do qual Capitu traiu ou não Bentinho, este livro te faz pensar em quem é o verdadeiro culpado, já que os fins justificam os meios. Este livro é a personificação da máxima que o pior cego é aquele que não quer ver, e talvez seja isso que o torne tão bom. É uma estória que te prende, onde tudo tem coesão e nada é ao acaso - Assim como a vida.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
hey, Lênin!

Exatamente às oito horas e quarenta minutos, uma tempestade de aplausos anunciou a chegada da Presidência, com Lênin, o grande Lênin, à frente.
Uma silhueta baixa. Cabeça redonda e calva, mergulhada entre ombros. Olhos pequenos, nariz rombudo, boca larga e generosa. Mandíbula pesada. Estava completamente barbeado. Mas a sua barba, dantes tão conhecida e que daquele momento em diante iria ser eterna, já começava a despontar novamente. O casaco estava poído; as calças eram compridas demais. Sua aparência física não indicava que ele poderia ser um ídolo das multidões. Mas foi querido e venerado como poucos chefes em toda a História. Um estranho chefe popular. Chefe só pelo poder do espírito. Sem brilho, sem ditos chistosos, intransigente e sempre em destaque, sem a menor particularidade interessante, mas possuindo, em alto grau, a capacidade de explicar ideias profundas em termos simples e de analisar concretamente as situações. Senhor de progidiosa audácia intelectual. Tal era Lênin.
(...)
Sua grande boca parecia sorrir. Abria-se inteiramente quando falava. A voz, apesar de rouca, não era desagradável. Estava como endurecia por anos e anos de discursos. As palavras saíam num tom monótono, sempre igual. Tinha-se a impressão de que sua voz nunca mais ia se interromper. Quando desejava frisar, deixar bem claro uma frase, uma ideia, Lênin inclinava-se ligeiramente para a frente. Não gesticulava. E, a seus pés, milhares de rostos simples estavam voltados para ele, numa expressão de profunda alegria interior, numa espécie de intensa adoração.
Fragmento do livro "10 Dias que Abalaram o Mundo", de John Reed.
Cáp. V - Ao Trabalho - pág. 176 e 178
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Sigilo
Segundo o dicionário Michaelis, a palavra 'sigilo' é de origem latina, sigillu, e é tido como segredo absoluto, mistério, discrição.Se tudo der certo (e dará), no próximo ano alcançarei algumas de minhas metas. Como eu disse no meu segundo post, não sou uma pessoa com muitos laços familiares, e quem tem família relativamente grande, sabe do que estou falando. Adoram perguntar.
E adivinha: eu ODEIO falar dos meus planos para as pessoas por ai.
Tem certas coisas que são secretas, mas no fundo você reconhece que não são segredo absolutos. É como uma conta bancária: as pessoas sabem que você tem uma, mas elas não precisam saber quanto você movimenta lá por ano.
Sempre achei bobagem contar tudo para todo mundo. Todos temos segredos, e não há ninguém melhor que nós mesmos para avaliar quem é digno de saber. Sejam nossos pais, nossos amigos, nossa pessoa especial ou até mesmo um desconhecido, ninguém pode interferir nesse direito de escolha.
Além do mais, o mundo está infestado de pessoas negativas que querem puxar o tapete do próximo na primeira oportunidade; para essas, o importante é que saibam que estamos vivos, e nada mais.
Concluindo: conte a sua "quantia bancária" para quem é digno de saber, e não para qualquer idiota que perguntar. Cada um coloca os cadeados onde melhor convir, e fim de papo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Quantidade x Qualidade
Aproveitando a ideia de um outro post do qual ainda escreverei, percebo que ao longo dos anos, as pessoas encontram formas para socializar, se divertir, ou até mesmo para se sentirem melhor consigo mesmas. Uma destas, que não me agrada muito, é o esquenta. Consiste em chamar a sua "galera", encher a cara e fazer jogos com álcool antes de ir para festas. A regra principal deveria ser: Beba até cair, e se vomitar o estômago, melhor.[Wat?]
Nisso, entra um fator do qual eu adoro, que é o da quantidade e da qualidade. Entrando no mérito das bebidas, quem conhece minimamente sabe que bebidas boas são bebidas caras - as outras são 'tomáveis', para não usar outros termos. Por exemplo, existe uma variedade grande de vinhos na região que moro; entretanto, vinhos bons de verdade, você paga, por baixo, 37 reais a garrafa, enquanto pagaria 12 em um qualquer. Vinhos bons são resultado de boas safras, logo o seu valor aumenta, e vale muito a pena pagar quase 40 reais em uma garrafa. Sinceramente? prefiro pagar caro por uma dose de Jack, ou então não tomar nada, ao ter de beber aquelas bebidas nojentas com gosto de suco tang com álcool. No livro Leão-de-Chácara, de João Antônio, há uma passagem da qual diz que o whisky era uma mistura de chá mate com iodo, se não me engano. Quando escuto relatos de 'esquentas', ou frases do tipo "Cara, tomei um porre ontem" lembro disso, e me pergunto se no fim das contas não tomaram um porre de misturas assim.
O que é caro, geralmente é ótimo, e geralmente vem em pouca quantidade. Talvez seja isso que traga o seu charme, pois qualquer um sabe que no momento em que tal coisa fica popular, a qualidade cai. Pois bem, se for pelo bem da qualidade, que subam os preços; enquanto houverem pessoas que não sabem degustar um vinho perfumado, ou um chocolate irresistível, que continuem pagando barato por seus projetos de produtos. No fim, a economia gira, e as coisas boas ficam para alguns. Nada mal.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
A Gaiola

E era a gaiola e era a vida era a gaiola
e era o muro a cerca e o preconceito
e era o filho a família e a aliança
e era a grade a filha e era o conceito
e era o relógio o horário o apontamento
e era o estatuto a lei e o mandamento
e a tabuleta dizendo é proibido.
E era a vida era o mundo e era a gaiola
e era a casa o nome a vestimenta
e era o imposto o aluguel a ferramenta
E era o orgulho e o coração fechado
e o sentimento trancado a cadeado.
E era o amor e o desamor
e o medo de magoar
e eram os laços e o sinal de não passar
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
e era a vida e a vida era a gaiola.
Poema de Apud Alda Beraldo, A Gaiola.
Poema de Apud Alda Beraldo, A Gaiola.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Indicações: O Filho Eterno

Eu confesso, este livro me surpreendeu. Assim como eu disse várias vezes, à princípio, eu não o leria caso não precisasse, - é, é um dos livros para o vestibular - entretanto, devorei quase 130 páginas hoje, tanto que já o terminei.
Ele trata, basicamente, de um homem que fracassa como escritor, e quando seu filho nasce, possui a trissômia do cromossomo 21 - ou Síndrome de Down, como preferir. Quando li isto nas abas, pensei: "Pronto, mais uma daquelas estórias cheias de lições de vida, exemplos de superação e como ser politicamente correto em 5 dias."
Mas, não foi bem assim. Cristovão Tezza criou um universo cheio de incertezas, com a sensação de que algo deu errado no meio do caminho, em que, querendo ou não, é preciso achar um culpado para tudo aquilo, como ele mesmo diz, um altar para o qual possa se esconder, nem que esse altar seja edificado sobre o filho. É uma radiografia sensível, sem aquela pretenção em agradar o leitor, mas sim em mostrar as coisas como elas são, sem rodeios, mas ao mesmo tempo, sem tirar a sutileza dos gestos.
A linguagem é outro ponto interessante; percebe-se claramente analogias a escritores famosos, repúblicas (como a de Weimar, em uma passagem bem sacada) e sistemas políticos, clássicos do cinema e paralelos pensados e repensados. Em suma, não é um livro popular, pois foi milimetricamente calculado e avaliado.
Este livro recebeu vários prêmios, entre eles o de melhor livro de 2008, e o que mais me orgulha é que é de um escritor catarinense.
Enfim, é um ótimo livro, espero ter oportunidade de reler e de tê-lo em minha prateleira, e com isso, concluo a minha indicação.
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