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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Como as pessoas se tornam idiotas III - Rótulos

Não sou hipócrita. Me incluo nos dois grupos: o dos rotulados e o dos que rotulam.
As pessoas distorcem fatos, e isso não é novidade para ninguém. Mas, eu não acho certo, ou melhor, não acho justo que alguém seja rotulado por ter tido o azar de nascer em uma família vazia e sem oportunidades. Vejo pessoas serem rotuladas por coisas minúsculas, que ás vezes vão de desde uma tonalidade de batom até a maneira de como expõe suas ideias. E percebam, quem atira mais pedras, sempre tem o telhado com o vidro mais frágil.
Eu sou de rotular atitudes, pois acredito que a marca do seu tênis não diz nada sobre você, já seus atos... podem depor tanto contra quanto à favor. No entanto, percebo que muita gente, não sei porque diabos, acha que a maneira como o outro se veste é mais importante que seu conhecimento, seus ideais, seus sentimentos.
A verdade é que temos aversão ao novo, ao que nos parece diferente. Talvez, em algum ponto de nossa vida, tenhamos medo de cair, de perder, de parecer ridículo perante o 'diferente'. Só que com isso, nos tornamos limitados e acorrentados, quase uma visão etnocentrica.
Rótulos existem desde sempre, e me pergunto se há algo a se fazer para combater essa praga que dizima cada vez mais nossas relações. Seria bom se todos assumissem suas fragilidades, sem medo do que o outro vai pensar, fazer o que quiser quando bem entender. Lutamos tanto por uma sociedade igualitária e continuamos alimentando esses 'distintivos'. Como eu disse no começo, não sou hipócrita, eu também rotulo, ainda que sejam atitudes. Acho que, mesmo com todo o meu lado liberal, simpatizante do anarquismo mas ao mesmo tempo simpatizante do movimento caudilho e positivista, tenho que me esforçar dia a dia para melhorar, e é claro, ter consciência de que eu não posso mudar o mundo; o que eu posso fazer é mudar o meu pensamento, minhas atitudes. Quem sabe, em um futuro não muito distante, nós percebamos o quanto essa 'rotulagem' é leviana e pequena e começamos a tomar conta de nós mesmos, e de mais ninguém.

sábado, 3 de abril de 2010

Lembranças


O dia nem havia caído quando as primeiras estrelas apareceram no manto azul turquesa que o céu exibia. Ele estava lá, deitado na rota grama, esperando respostas, modificando perguntas, pensando em maneiras para muitas coisas, e porque não, sonhando. Sentiu suas lágrimas salgadas deslizarem em sua face, por sua pele ferida, sentindo as chagas arder. Pensava em sua família, seus amigos, seu amor e sua vida, e chegara à conclusão de que nada havia sido em vão. Havia feito o impossível, muitas vezes. Libertara pessoas de seus próprios cárceres, cogitou o "e se...", provara por a+b que todos são iguais, visto não queria ver as pessoas acorrentadas em correntes que as mesmas criavam em momentos de desespero. Sentiu saudades, de sua infância, de seus hábitos, de olhar o céu azul. Ele sabia, seria a última vez que poderia sentir o carinho daquele teto inalcançável. Ou daria pra alcançar? talvez, um dia sim.
Chorava, e pensava em tudo. Pediu por seus pais, por seus amigos, e em um ato digno de solenidade, pediu por todas as pessoas do mundo, até aquelas que ainda não existiam. Pediu proteção, para ele e principalmente para todos os outros. Ele sabia o que lhe esperava, e sabia que precisava armar-se sem armas, pois aprendera desde cedo que nada na vida é fácil, e aquela seria a sua prova final.
Chorava lágrimas que pesavam uma tonelada cada, até que um anjo sussurra em seu ouvido algo como:
"Acalma-te, e olha para o céu. Vê as estrelas, e lembra-te que vieste de uma, e para lá voltará, brilhando para todo o sempre, dando atenção à todos que te procurarem. Lembra-te de tua mãe, que tanto lhe amou, e lembra-te de tua missão, que fizeste com sucesso. Serás lembrado pela eternidade, tal como estes pontos que fazem os apaixonados sonhar."
As lágrimas cessaram, e lembrou-se das estrelas, do anjo que lhe acompanhara desde seu nascimento, dos momentos, de tudo. E assim sorriu, talvez não com alegria, mas com alívio, de que sua vida não passou por passar.

Feliz Páscoa, para todos ;****

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quase Uma Guerra

Esse é aquele ano em que a maioria sonha a tempos: o ano da formatura.
Ontem foi a primeira das reuniões, e o fato mais comentado foi de que os pais foram mais baderneiros e mal educados que os alunos. Concordei com isso, visto que minha mãe conseguiu me estressar lá e em casa. A primeira ideia apresentada foi a de fazer a colação de grau no ginásio, e o baile em outro lugar, como uma tentativa de comparar a E.E.B. Almirante Barroso ao CC, mais conhecido como Colégio Catarinense, de Florianopolis. Até aí tudo bem, se o CC não fosse um colégio particular, em uma das cidades mais desenvolvidas do estado.
Isso não faz sentido, pois se o dinheiro é o principal problema, nós gastaríamos duas vezes com a mesma coisa. Eu entendo que tem aqueles que podem mais e aqueles que podem menos, mas para mim uma formatura bem feita deve ser realizada, por uma razão bem simples: Não é todo mundo que vai ter outra formatura na vida.

Um dos argumentos usados contra foi que, nos anos anteriores, muitos pais só souberam que o filho havia sido reprovado no dia da colação. Pois bem, se for pra pagar a 'mensalidade', vender coisas ou fazer trotes, que trate de estudar também, que honre o dinheiro. Outra coisa foi a possível proibição de bebidas alcoólicas. Droga, o filho de ninguém é obrigado a beber, só bebe se quiser. E se beber até cair, envergonhar a família ou entrar em coma alcoólico, problema dele, pois livre arbítrio serve para isso.
Todavia, preciso concordar que a reunião começou do jeito errado. Começaram falando dos gastos, sendo 10 salários mínimos para o aluguel de um dia da Affirma (R$ 5100,00) na sexta-feira e aproximadamente R$8000,00 para a banda By Brazil, que na minha opinião é uma das melhores para formatura. Porém, era evidente que os pais se assustariam e reprovariam a ideia.
Enfim, foi estressante, e é impossível argumentar com pessoas fechadas, mas foi só a primeira batalha, ainda temos uma guerra pela frente. Fora que, possivelmente acontecerá como todos os anos: a formatura do nosso jeito, no dia e no lugar que quisermos, e aqueles que eram contra dançando e curtindo junto com os formandos. I love it.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Oportunidades


Hoje tive aquele tipo de conversa que você nunca esquece, com um dos meus melhores amigos, o Marcelo. Eu comentei com ele sobre algumas inseguranças minhas, e algumas coisas das quais eu achava que poderiam não dar certo, muito embora estejam indo bem. E em meio à isso, surgiu o assunto oportunidade, e ele me disse algo como:
"Se eu fosse você, não deixaria esta oportunidade passar.
Já pensou se no correio, em meio àquela fila enorme, o caixa fosse tomar um cafézinho quando chegasse a vez de cada cliente, dizendo 'desculpe sr, mas não posso atendê-lo agora. Faz pouco tempo que atendi o último cliente, e agora eu preciso fazer uma pausa para o café.' ?"
Isso me deixou pensativa. Acho que todas as pessoas passam por situações das quais se perguntam se já é a hora de se jogar. Espero que embaixo da minha ponte, tenha alguém para me segurar.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher - Especial

Homenagem ao meu dia. Ao nosso dia, aliás. (caso você seja mulher)
Este post é dedicado para todas as mulheres que fazem parte da minha história. Façam elas parte do meu grupo de amigos, da minha família, da música, da arte, da política, TODAS.
Anyway, Feliz dia da Mulher e que o poder perdure, yeaaaah!.




1. A responsável de tudo, minha mãe.
2. A melhor blood sister que alguém pode ter.

3. A melhor heart sister que alguém pode ter.
4. Minhas primas que eu amo. Ou o lado loiro da família.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Como as pessoas se tornam idiotas II - Submissão


Para mim, é uma das coisas que mais minam a credibilidade de uma pessoa, independente do seu gênero, credo, idade e ideal. E se mina, ela automaticamente vira uma idiota.
O que leva alguém a aceitar tudo, de cabeça baixa, sem reinvidicar seus prováveis direitos? O texto de hoje seria sobre a prática de trotes violentos, mas então percebi que os dois temas andam de mãos dadas. Quando ouvi que um calouro levou caipirinha nos olhos por recusar a dar um beijo no pé do veterano, me orgulhei dele; ele teve coragem de encarar tal situação, ainda que o resultado tenha sido um tanto quanto... inglório. Acho que para isso, vale o que eu vi certa vez tatuado na perna de um rapaz: 'Death Before Dishonor'.
O ponto é que eu não vejo muita diferença entre a criança que todo santo dia é alvo dos colegas e daquelas pessoas que engolem sapos do chefe. A partir disso surgem patologias como bullying e Síndrome de Burnout para buscar respostas para certas coisas, entretanto, os "doentes" não se dão conta de que uma vez que outras pessoas abusam delas, parte da culpa pode ser dela mesma. Postura, jeito de falar, agir, vestir, entre outras coisas favorecem tal situação, e posso falar disso com propriedade, visto que passei por algo próximo a
os meus 11 anos. Acredito que, quando tal indivíduo toma uma postura de coitadinho, algo muito errado está acontecendo. E o mesmo perde a noção do rídiculo se deixando passar por situações degradantes, pois crê que não tem força física ou até mesmo preparo mental suficiente para não levar o desaforo para casa. Logo, viram idiotas.
O pior é que as modalidades de submissão são amplas, mas vou enumerar algumas:
  • Esposa/o que apanha do/a esposo/a;
  • Filha/o que faz todas as tarefas de casa sozinho, ainda que tenha mais irmãos para ajudar;
  • Criança que sofre 'ataques' na escola;
  • Funcionários que não desistem da função pelo dinheiro, e em troca aguentam os piores dos desaforos, sendo que ás vezes o salário nem compensa o stress;
  • Namorado/a que deixa de ver os amigos porque a/o namorada/o não deixa
  • ...
Hoje mesmo me perguntei se tais pessoas merecem meu respeito. Em meu entendimento, um sistema passa a funcionar melhor quando não existem só leis, mas também certas condutas, como auto respeito. A pessoa que não se rebela, que aceita tudo de queixo baixo e que não se defende, pode ser um santo, mas está ferindo seu auto respeito. Eu lamento, mas fere ainda que não queira. Me questiono porque algumas pessoas agem de tal modo, sendo que muitas vezes passam por frágeis, influenciáveis e até mesmo retardadas, justamente por não irem atrás de seus direitos.
Talvez, elas precisem de um bom balde de água fria para acordar e ver que tal conduta é repulsiva. Está certo, todo mundo tem seus dias de cão, mas sucumbir à isso, é no mínimo burrice, e por isso bato na tecla do auto conhecimento e auto respeito, mais uma vez. O mundo não é tão doce, as pessoas não são tão boas e nem tudo é culpa apenas do outro. Quem sabe, o mundo passe a ser um lugar melhor quando algumas pessoas não deixarem mais as outras pisarem em suas cabeças, sejam elas seus pais, namorados ou até mesmo o meio do qual vivem.


Leia também
Andam Abusando de você?
Corporativismo Feminino

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Como as pessoas se tornam idiotas I - Frustração

Assim como J.J.Rousseau, eu acredito que as pessoas nascem boas, mas a sociedade as corrompe. Mas, como se corrompe uma pessoa? Embora os pais e a família, que é o primeiro meio em que um ser humano vive influencie, são os amigos que trazem as verdadeiras mudanças. Esta teoria é da psicóloga norte americana Judith Harris. Segundo ela, em outras palavras, o máximo que você pode fazer para influenciar o seu filho a ter uma personalidade coerente, é mudá-lo de escola. Mas é John Locke (meu predileto) que diz que a mente do bebê é uma folha em branco, logo os pais devem dar bons exemplos.
O que eu sei é que todos temos uma personalidade, e que não existe uma linha que dite o que é certo ou errado, valendo o mesmo para o conceito de bonito ou feio. Porém, independente do seu temperamento, seus costumes, ou suas ideias, se você já não se frustrou, ainda vai se frustrar, infelizmente.
Mas, voltando a pergunta principal: Como se corrompe uma pessoa? ou talvez, a pergunta mais indicada seria: Como uma pessoa se frustra?
Acredito que contos de fadas são parte disso tudo. Crescemos ouvindo histórias de príncipes destemidos e princesas encantadas, herois com força sobrenatural derrotando bandidos, mas dificilmente somos estimulados a pensar sobre essas histórias, ou seus finais são destorcidos. Como disse Evandro Santo, em uma das postagens do
Ovulando , seria muito mais digno falar "Felizes Enquanto Foi Legal" do que dizer "Felizes Para Sempre", pois eu tenho certeza de que aquela garotinha não achou explicação para a separação dos pais. Frustração nº1.
Algumas pessoas dizem que sem estes eufemismos, não há infância, açucar, essas coisas. Mas esquecem de que uma noite, um mês, ou sete anos podem ser tão mágicos quanto o 'para sempre'. Lembro-me que um amigo meu mandou gravar na sua aliança e da namorada uma frase que dizia algo como "Te amo para sempre, mesmo que o 'para sempre' não exista.", e é esse o espírito da coisa!
E esta frustração não se restringe apenas ao campo amoroso. Quantas pessoas se decepcionam com a faculdade, com o novo trabalho, com as pessoas? e sei que, tudo começou com uma semente como a dos contos de fadas, redirecionado estas decepções para o campo das bebedeiras, acidentes que poderiam ser evitados, e até suicídio.
Porém, sinto que devo apresentar uma solução. Cortar de vez os contos de fadas? Jamais. Só acho que seria saudável adicionar um pouco de realismo e avaliação de riscos. Dizem que é melhor prevenir do que remediar, então talvez pequenas mudanças poupassem leitos de hospital, ombros cansados e dinheiro para remédios. Ou melhor: vamos viver a nossa história, pois só assim vamos cair e nos levantar mais fortes que antes.

Leia também:
Como se transformam homens em idiotas?
Wômito

Super Herois
Just A Place

Fonte de pesquisa: Revista Superinteressante - Outubro de 2009