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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Transparência



Vê! Não tenho tanta coisa pra esconder. Eu sou o que todo mundo vê. Quer queira ou então não, quem é que despreza o coração? não aceito esse rótulo e não, não disfarço os meus sentimentos, não, e espero de você mais do que um simples sim ou não.

Vamos conversar, e tudo bem; Está no ar, não vivo sem. A chuva cai, a noite vem pra nós também (pra nós também). A chuva cai...

Tem! Ainda tem muita coisa a esclarecer. Não tenho pressa, pode começar você. Quer queira ou então não, quem é que maltrata o coração? É difícil perceber e resolver, é só parar pra pensar e aprender; e espero de você mais do que um simples sim ou não.

Vamos conversar, e tudo bem; Está no ar, não vivo sem. A chuva cai, a noite vem pra nós também (pra nós também). A chuva cai...


"Transparência" - A Cúpula
Link aqui

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Pra te receber


Não há morte, não há sangue, nem verdades ou mentiras, apenas a tua ausência. Não há riscos, não há risos pra comparar o que eu sinto. Não há dor nem saudade além da vontade de te ter.
Se ainda estiver afim, venha correndo me encontrar, eu sempre estarei aqui de braços abertos pra te receber.
Não sei nada sobre as horas, meu tempo a tempo se perdeu, não importa se vai ser pra sempre ou se você vai me esquecer.
Se ainda estiver afim, venha correndo me encontrar, eu sempre estarei aqui de braços abertos pra te receber...

"Pra te receber" - 9 de Espadas.

sábado, 12 de junho de 2010

Especial Dia dos Namorados


Ela vivia sob o medo; sobrevivia no terror, vendo suas amigas morrerem dia a dia. Ela sonhava com algo ou alguém, que pudesse acabar com aquilo tudo. Ah, como seria lindo correr pelos campos verdes, sem medo, e ver as estrelas. Seu nome era Sabra, e era a filha do rei. Ela ouvia histórias de amores de princesas, mas sabia que estava prometida à morte; morreria nos dentes do dragão que assombrava a cidade, com seu hálito que mataria toda a população. Ela queria viver, mas não queria carregar o fardo da culpa, por ser a responsável por tantos óbitos.
Ela sonhava com ele, e nem o conhecia. Sonhava, todas as noites, em seu guerreiro, em seu soldado, no cheiro de seus cabelos, de sua armadura.

Ele guerreava. Destemido, apaixonado pela vida, vivia até a última gota. Seu nome era Jorge, o líder da tropa mais temida já vista. Jovem, inteligente, estrategista. Ele soube de Sabra, e aquilo o encantara. O mistério, quem poderia ser ela? Como ela era? nutriu um ideal, um sonho, que ele esperava sonhar. Ele não conhecia seus olhos; ele não conhecia o seu perfume, mas a amava. Nunca tinha trocado um olhar que fosse, mas pedia aos anjos protegê-la. Depois de meses de indecisão, decidiu montar acampamento sozinho, enfrentar o dragão alado, aquele que 'nem espada e nem lança o perfura'. Naquele momento, sentiu-se humano. Amou todas as pessoas da cidade, por ser o que eram, amor humano. Estava disposto a dar o sangue por aquelas pessoas, que nem conhecia. Aprendera com sua mãe a ser assim; ela, que lhe fazia tanta falta, mas que estava sempre lá.

Pois bem, ele o matou. Matou por amor, por sua Sabra, pelas pessoas. Lágrimas rolaram pelos olhos do monstro, e ele sentiu a agonia que tantas vezes fizera tantas meninas sentir. O medo de morrer, a vida passando diante dos olhos, o chamado materno, tudo aconteceu. E assim, fechou seus olhos prateados para sempre.

Apenas a paixão resistiu, porém o rei não a aceitou. Em um ato de coragem, ou talvez desespero, Sabra fugiu com Jorge, e juntos viveram uma vida linda, na Inglaterra, para todo o sempre.
Mas antes, ele sussurrou em seu ouvido: "Sem você comigo, o meu mundo não sorri. Eu te amo."
Esta é a lenda de São Jorge, da lendária imagem marcando a morte do dragão. Este quadro realmente existe, quem o produziu foi Dante Gabriel Rossetti, e chama-se O Casamento de São Jorge e Princesa Sabra. Nada mais adequado para hoje *-*


 

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Açúcar no Veneno

Quando eu era criança, adorava a presença do sol na minha casa. As janelas permaneciam fechadas, mas o sol atravessava o vidro, como se os raios fossem retas em um plano cartesiano. Eu adorava sacudir almofadas, ou qualquer coisa que pudesse ser fonte de pó, só para ver as partículas dançando nos raios de sol. Imaginava que a neve poderia ser como aquilo, uma coisa intocável, que beirava à ilusão, tais como aquelas que se tem quando sua febre sobe consideravelmente.
Para minha surpresa, percebo que isso acontece até hoje, na minha sala de aula. O pó de giz, invisível na luz das lâmpadas frias, brilha na luz do sol, me fazendo lembrar de quando eu era criança, e o mundo volta a ser doce. Porém, preocupa-me, pois o pó de giz é mais denso, e esse pó eu e meus amigos respiramos todos os dias. Meu pai respirava um pó denso assim quando criança, e hoje ele tem alguns problemas respiratórios. Me pergunto se não estamos sujeitos à isso. É um veneno, uma coisa que talvez um dia nos traga problemas, mas só percebemos isso quando o vemos, na luz do sol. É um atirador, um inimigo invisível, um lobo vestido de cordeiro, mas que ao mesmo tempo nos faz, por um segundo, mais felizes. Sempre quando o vemos, embora estejamos respirando pó de giz, sentimos o açúcar de nossas infâncias, confortável como um banho quente, ou gostoso como bolo de vó.

sábado, 3 de abril de 2010

Lembranças


O dia nem havia caído quando as primeiras estrelas apareceram no manto azul turquesa que o céu exibia. Ele estava lá, deitado na rota grama, esperando respostas, modificando perguntas, pensando em maneiras para muitas coisas, e porque não, sonhando. Sentiu suas lágrimas salgadas deslizarem em sua face, por sua pele ferida, sentindo as chagas arder. Pensava em sua família, seus amigos, seu amor e sua vida, e chegara à conclusão de que nada havia sido em vão. Havia feito o impossível, muitas vezes. Libertara pessoas de seus próprios cárceres, cogitou o "e se...", provara por a+b que todos são iguais, visto não queria ver as pessoas acorrentadas em correntes que as mesmas criavam em momentos de desespero. Sentiu saudades, de sua infância, de seus hábitos, de olhar o céu azul. Ele sabia, seria a última vez que poderia sentir o carinho daquele teto inalcançável. Ou daria pra alcançar? talvez, um dia sim.
Chorava, e pensava em tudo. Pediu por seus pais, por seus amigos, e em um ato digno de solenidade, pediu por todas as pessoas do mundo, até aquelas que ainda não existiam. Pediu proteção, para ele e principalmente para todos os outros. Ele sabia o que lhe esperava, e sabia que precisava armar-se sem armas, pois aprendera desde cedo que nada na vida é fácil, e aquela seria a sua prova final.
Chorava lágrimas que pesavam uma tonelada cada, até que um anjo sussurra em seu ouvido algo como:
"Acalma-te, e olha para o céu. Vê as estrelas, e lembra-te que vieste de uma, e para lá voltará, brilhando para todo o sempre, dando atenção à todos que te procurarem. Lembra-te de tua mãe, que tanto lhe amou, e lembra-te de tua missão, que fizeste com sucesso. Serás lembrado pela eternidade, tal como estes pontos que fazem os apaixonados sonhar."
As lágrimas cessaram, e lembrou-se das estrelas, do anjo que lhe acompanhara desde seu nascimento, dos momentos, de tudo. E assim sorriu, talvez não com alegria, mas com alívio, de que sua vida não passou por passar.

Feliz Páscoa, para todos ;****