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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Lixo - proposta 28

Dizer que a poluição é reflexo dos tempos de modernidade é ingênuo. O ser humano sempre poluiu, em maior ou menor escala. Países desenvolvidos produzem mais lixo, descartando por vezes em outros territórios do globo como se fossem meros depósitos.
Mesmo em municípios de países em desenvolvimento como o Brasil a quantidade de lixo doméstico produzido diariamente é assustadora, sendo o destino desses resíduos a maior das preocupações: mais de 70% vai para lixões e menos de 1% passa por processos de reciclagem. Infelizmente, as pessoas que vivem em tais ambientes, em geral, viram a preocupação secundária. Os documentários "Ilha das Flores", de Jorge Furtado e o premiado "Estamira" mostram pessoas reais que mesmo com o "polegar proeminente altamente desenvolvido" vivem em ambientes hostis, reaproveitando o consumo desenfreado alheio como meio de sobrevivência.
Em contraponto, o Brasil é líder no reaproveitamento de latas de alumínio, e a taxa de reutilização de garrafas do tipo PET é respeitável. Muito dessas conquistas se devem a ONGs, projetos de livre iniciativa e catadores, que além de geração de empregos reduz o impacto ao meio ambiente. Hoje existem grupos especializados na coleta de óleo de cozinha, por exemplo, usado para a fabricação artesanal de sabão. Estima-se que 1 litro de óleo doméstico polui 1 milhão de litros de água, quantidade suficiente para 14 anos de consumo. Com a popularização de celulares e computadores, o número de lixo eletrônico produzido é grande. No Brasil existem postos de coleta especializados neste tipo de material.
Para tanto, também podemos fazer a nossa parte. Assim como empresas possuem uma política na redução de papel, podemos optar por produtos com menos embalagens. Para fazer um mundo melhor para seus habitantes e meio ambiente, podemos começar por nós mesmos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Front

Eu juro, gostaria de escrever algo cheio de açúcar como a postagem anterior. Mas em dias como hoje, situações com essa, não dá. Me sinto indignada, presa, com amarras nos meus pulsos que me impedem de fazer algo significativo. Não, eu estou bem, mesmo. Estou na minha casa, com meus pais e minha irmã, onde o ambiente é maravilhoso. Mas, há algo que não se encaixa, e concluo que tenho essas coisas quando volto pra casa, como se um pedaço de mim voltasse a respirar, fugindo de uma vida semi mecânica, mas que gosto muito.
Hoje (ainda é 23:59) faz uma semana que um homem da minha cidade morreu. Não o conheço, não conheço sua família, mas sei que ele tem dois filhos (acho), entre eles uma menina que não deve nem imaginar que eu existo, mas que eu a conheço, de certa forma. Ela figurou um determinado evento que acontece de tempos em tempos aqui, e como ela sempre estudou em escolas de turmas pequenas é fácil reconhecer. Enfim, o pai dela morreu. Como eu disse, não a conheço, ela não me conhece, mas rezei por ela e pela mãe dela, para que o sofrimento não se alastrasse mais que o necessário. Ao que parecia, ela tinha uma vida ótima, linda, cheia de amigos, festas, pessoas legais, bons colégios. No entanto, o pai dela não está mais aqui, e isso me fez pensar em várias coisas.
Por que algumas pessoas precisam passar por isso? Será que suas vidas realmente mudarão depois, será que serão pessoas 'melhores'? Será que para ser melhor é preciso perder um pai ou uma mãe, para que dessa forma algo amadureça em suas almas e seus corações?
Comparando grosseiramente, é como algumas pessoas mais velhas dizem que embora a ditadura militar no Brasil tenha existido, muito progresso se fez. Mas, será que para ter progresso é preciso tanta violência, tantas mortes, tantos desaparecidos?
Eu sei, essa é a 'ordem natural' das coisas, onde os pais, teoricamente, morrem antes dos filhos. Mas, não consigo deixar de pensar nas lágrimas e no sofrimento de quem passa por isso. Inevitável não se colocar no lugar, não imaginar isso acontecendo consigo. Pior, o sofrimento dos outros escorre pra mim. Tem gente que se emociona com livros. Tem gente que se emociona com filmes que cachorros morrem. Já eu, não consigo ser indiferente ao sofrimento humano, como aconteceu quando assisti Frida.
E se a morte de quem é muito importante para outro alguém fizer diferença, se ela for evitada, é possível que a mudança ocorra? Falando em Frida, confesso que seus quadros são perturbadores para mim. Não consigo vê-los sem sentir pregos na garganta, como se proliferassem espinhos em mim. Talvez, se ela não tivesse sofrido o acidente, se achasse alguém mais legal que Diego Rivera para viver, a sua genialidade ficaria em estado de latência. Jamais teria feito quadros com tanto sofrimento, sentimento, emoção. Ou, talvez não.
Talvez esteja na hora de eu parar de dar tanto murro em ponta de faca. Aceitar que algumas coisas precisam acontecer. Aceitar que não posso mudar algumas coisas. Aceitar que algumas pessoas não vão falar com você, não te darão nem boa noite.
O problema é que isso não faz parte de mim. Sou instável, explosiva, contestadora, indignada e além de tudo, de leão. Meu pior defeito sempre foi ir atrás do impossível, aguentar. Eu acredito na mudança das coisas. Acredito que somos donos dos nossos destinos. Não acredito que joguinhos funcionem. Mas, talvez esteja na hora de enfrentar as coisas como são, enfrentar os quadros de Frida Kahlo, travar mais uma guerra contra mim mesma. Não ter medo do que pode acontecer, sair com a certeza de que fiz o meu melhor. E sim, dane-se a opinião alheia.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Antitelejornal - Skank

Perdurar, segundo o Caldas Aulete, tem como significado durar muito, subsistir, permanecer; ser lembrado através dos séculos, permanecer na lembrança.

Que a calma perdure, que eu me mantenha calma, leve. Que as preocupações futuras se tornem pequenas perto dos objetivos, que o tempo passe devagar.
Gosto de viver assim, devagarinho, gosto de sentir o sabor das coisas. 3 anos não passam rápido. Passam o equivalente a 3 anos. Que a felicidade seja permanente, seja lá o que vá acontecer.
Para se ter coisas que nunca teve, é preciso fazer coisas que nunca se fez. E para isso, é necessário estar bem, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente.
Esse não é um texto de auto-ajuda. Mas, a alegria que estou sentindo nos últimos dias tem me feito bem, quero compartilhar isso.

Tirar todas as pessoas das ruas. Construir casas populares. Jogar milho nas ruas, para que até os pombos possam comer algo melhor que lixo. Desejar um bom dia para estes curitibanos. Limpar as ruas. Plantar flores nas calçadas. Criar um antitelejornal. Cantar. Dançar. Aprender. Pintar os telhados de branco. Andar nas ruas amarelas de flores de ipê. Acreditar em um mundo melhor. Fazer acontecer. Doar sangue (assim que possível). Olhar nos olhos das pessoas. Promover igualdade nas minhas decisões, sentir a chuva.
Sentir a chuva.


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Back to Black

Pois é, todo mundo foi pego de surpresa com a morte de Amy Winehouse. Não dá pra deixar isso passar, apesar de que eu não conheço muito as músicas dela. É, ela se tornou membro do Clube dos 27 (fazendo uso da postagem do Wômito).
Mas, não é isso que quero falar. Hoje ouvi uma frase do Lobão, que questionava se era melhor viver 10 anos a mil, ou mil anos a 10, sobre o Cazuza, sua morte e o modo que ele levou a vida. Isso tem muita conexão com a Amy, que estávamos acostumados a ouvir suas histórias, o que fez, o que deixou de fazer, tudo. Conheço pouco sobre ela, mas imagino o quanto deve ser pesada a pressão em cima de uma pessoa que tinha uma das melhores vozes dos últimos anos, com namoros fracassados, paixões que acabaram de modo triste, e não poder fugir da realidade direito, sempre com fotógrafos e stalkers atrás.
Mas, quanto à frase de Lobão, eu escolhi viver mil anos a 10. Eu sei, pra quem me conhece não é surpresa. Certa vez alguém me disse algo como Se estivéssemos na década de 70, eu seria um hippie e você uma yuppie. O pior é que ele estava falando sério - e é verdade.
Mas, escolho viver 1000 anos a 10 pelo sabor das coisas, por preferir viver devagar, mas de consciência tranquila. Sentir o gosto dos momentos, pra que fique eternizado na memória, e não viver como se não houvesse amanhã. Não existem certezas, existem oportunidades (V for Vendetta), e se for pra acontecer, vai acontecer, independente de data, de hora marcada.
Cada um escolhe o que é melhor pra si, e não, eu não prefiro acordar arrependida. Não julgo quem escolhe viver 10 anos a mil, mas ainda assim, prefiro ir dormir na vontade.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Columbine - parte 1

Começo hoje uma série de postagens sobre o atentado em Columbine, suas repercussões e razões. Serão postados textos de natureza argumentativa, e a caixa de comentários está aberta para opiniões convergentes ou divergentes. Não prometo regularidade, mesmo porque as postagens aqui andam rareando... mas a medida do possível, postarei algo aqui.

Cassie Bernall e Rachel Scott



De todas as vítimas do massacre, elas ganharam mais notoriedade. Mais notoriedade que os próprios assassinos, diga-se de passagem, que são lembrados na maioria das vezes por influenciar outros atentados, seja no vestuário, seja nas armas, seja nos objetivos. Tirando isso, dificilmente são lembrados. Agora, Cassie e Rachel, quando se fala em Columbine, elas são lembradas por muitos quase de imediato, seja pela música do Flyleaf (que é ótima), seja pela história do 'I will say YES!'. Começaremos por isso...
Em pesquisa, encontra-se muito isso. Contam que Cassie morreu porque Eric Harris perguntou "Você acredita em Deus?' e ela disse sim. Isso repercutiu de maneira assustadora, visível quando se olha superficialmente no google. Como eu disse, a banda Flyleaf tem uma música chamada Cassie, que fala justamente disso. Esta música virou um hino, mesmo que o Flyleaf tenha outras músicas do mesmo calíbre (escute Tina e I'm so sick). O problema é que faz algum tempo que um órgão norte-americano desmentiu isso, falou que a história de Cassie é mentira, nunca aconteceu, que isso virou um mito poderoso, altamente persuasivo. Falar de uma coisa nebulosa é difícil, só quem esteve lá pode dizer se é ou não verdade. Há quem diga que Rachel passou por algo parecido, mas os relatos mais fortes são de Cassie.
Porém, isso nunca impediu de que os pais e a mídia estadunidense afirmasse com fervor que realmente aconteceu. Até o funeral de Rachel está no youtube. Os familiares (imagino) fizeram um site do qual você pode comprar livros inspirados nela. Pouco tempo depois do massacre, a mãe de Cassie escreveu um livro.
Fizeram de suas mortes um negócio, uma forma de arrecadação, talvez por uma história que é uma mentira. Além, de claro, ser munição para suas respectivas religiões, uma vez que Cassie participou de um video afirmando que viveria para Deus.
Acredito que cada um tenha sua crença (ou não). Eu tenho a minha, acredito em Deus, em Jesus Cristo, e não sou uma 'cristã não praticante'. Mas isso não vai fechar os meus olhos para isso, defender esse comércio todo por uma história que nem sei se é verdade. É incrível como muitos postam por aí 'Nossa, é história de vida!', mas que com certeza não fariam metade do que elas fizeram, isso se fizeram. Eu decidi não compartilhar de algumas opinões sobre isso, decidi não torná-las ícones, santas. Decidi ir por mim, pelo o que eu acredito, e sim, acredito sim que tais igrejas fazem uso indiscriminado de suas imagens para atrair pessoas que contribuirão com 10% de seus salários. Mas, infelizmente, não dá pra condenar uma instituição se os próprios pais promovem a venda de livros e filmes de suas filhas.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia do Rock




Na foto:
KISS;
Dave Grohl;
Chris Cornell;
Black Crowes.

post novo nesta semana ainda