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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Medo Líquido - fragmento

O futuro é nebuloso? Mais uma forte razão para não deixar que ele o assombre. Perigos imprevisíveis? Mais uma razão para deixá-los de lado. Até agora, tudo bem; poderia ser pior. Deixe ficar desse jeito. Não comece a se preocupar em atravessar aquela ponte antes de chegar perto dela. Talvez você nunca chegue, ou talvez ela se parta em pedaços ou se mova para outro lugar antes que isso aconteça. Portanto, por que se preocupar agora?! Melhor seguir aquela receita muito antiga: carpe diem. Em termos simples: aproveite agora, pague depois. Ou, estimulado por uma versão mais nova da sabedoria antiga, atualizada por cortesia das companhias de cartão de crédito: não deixe para depois o que se pode fazer agora.


Medo Líquido - Zygmunt Bauman

domingo, 27 de novembro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

It's Probably Me II

Esta postagem fará um ano nos próximos dias. Nunca falei sobre isso aqui, mas postei ela no dia seguinte da prova da UFPR. Eu estava com medo de conferir o gabarito, medo de fracassar, de cair. Mas ainda assim, conferi. É claro, eu sabia que não iria para a segunda fase, mas assim mesmo quis pagar pra ver.
A prova da UFPR de 2012 é daqui uma semana, e ainda me deparei com meus medos antigos. Não sei como será esse ano, mas sei que me preparei muito melhor - não existe motivo para se sentir assim. O medo é a corrente que me aprisiona na realidade, a gaiola que me impede de voar.

Eu escrevi a palavra 'medo' quatro vezes nesse pequeno texto.
Decidi não ser mais refém dele. É difícil, isso não virá de uma hora para outra, mas ainda assim não vou desistir tão facilmente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Consumo e Cidadania - Proposta 30

A música "21 century digital boy", da banda Bad Religion, é um manifesto contra o consumismo e o que ele representa; no refrão se diz: "eu não sei como viver, mas tenho vários brinquedos".
O consumo foi necessário para a consolidação do capitalismo. O ato de comprar aquece a economia, gera empregos e seus produtos trazem conforto. O problema é o modo de fazer isso, rompendo a fronteira entre aquilo que é necessário e aquilo que é supérfluo. O relatório divulgado pela Worldwatch Institute comprova que o atual ritmo de consumo é exagerado, sendo que apenas um terço da população mundial contribui para este sobrepeso no meio ambiente. Mais que uma questão ambiental, é uma questão de cidadania, denunciando que a distribuição de renda feita de maneira justa ainda é um sonho distante. Ou seja, para o jornalista Washington Novaes, especialista em questões ambientais, esse um terço pode ser capaz de minar a qualidade de vida de todo o mundo, literalmente. Além disso, embora hoje tenhamos acesso a fontes que nos informam quais são as empresas que fazem testes em animais, pouco se sabe sobre empresas que oferecem condições minimamente dignas aos seus funcionários, a exemplo da Zara, marca de caráter internacional, denunciada por usar mão-de-obra em regime de escravidão.
Mas, afinal, será que precisamos consumir tanto? No filme "Clube da Luta", dirigido por David Fincher (o mesmo que dirigiu A Rede Social), há a frase "as coisas que você possui acabam possuindo você", no qual há o questionamento sobre aquilo que realmente é essencial para a sobrevivência. Vivemos em uma era em que somos aquilo que temos.
Em respeito aos artigos do Código de Defesa do Consumidor, bem como aqueles responsáveis pelo produto que chega até nós, poderia ser elaborado um selo assegurando que os direitos básicos dos trabalhadores estão sendo cumpridos, parecido com as "Listas Brancas", do New York Consumers League. Mas, mais do que isso, se for para comprar que seja apenas o necessário; na maioria, compramos coisas que não precisamos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Lixo - proposta 28

Dizer que a poluição é reflexo dos tempos de modernidade é ingênuo. O ser humano sempre poluiu, em maior ou menor escala. Países desenvolvidos produzem mais lixo, descartando por vezes em outros territórios do globo como se fossem meros depósitos.
Mesmo em municípios de países em desenvolvimento como o Brasil a quantidade de lixo doméstico produzido diariamente é assustadora, sendo o destino desses resíduos a maior das preocupações: mais de 70% vai para lixões e menos de 1% passa por processos de reciclagem. Infelizmente, as pessoas que vivem em tais ambientes, em geral, viram a preocupação secundária. Os documentários "Ilha das Flores", de Jorge Furtado e o premiado "Estamira" mostram pessoas reais que mesmo com o "polegar proeminente altamente desenvolvido" vivem em ambientes hostis, reaproveitando o consumo desenfreado alheio como meio de sobrevivência.
Em contraponto, o Brasil é líder no reaproveitamento de latas de alumínio, e a taxa de reutilização de garrafas do tipo PET é respeitável. Muito dessas conquistas se devem a ONGs, projetos de livre iniciativa e catadores, que além de geração de empregos reduz o impacto ao meio ambiente. Hoje existem grupos especializados na coleta de óleo de cozinha, por exemplo, usado para a fabricação artesanal de sabão. Estima-se que 1 litro de óleo doméstico polui 1 milhão de litros de água, quantidade suficiente para 14 anos de consumo. Com a popularização de celulares e computadores, o número de lixo eletrônico produzido é grande. No Brasil existem postos de coleta especializados neste tipo de material.
Para tanto, também podemos fazer a nossa parte. Assim como empresas possuem uma política na redução de papel, podemos optar por produtos com menos embalagens. Para fazer um mundo melhor para seus habitantes e meio ambiente, podemos começar por nós mesmos.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Front

Eu juro, gostaria de escrever algo cheio de açúcar como a postagem anterior. Mas em dias como hoje, situações com essa, não dá. Me sinto indignada, presa, com amarras nos meus pulsos que me impedem de fazer algo significativo. Não, eu estou bem, mesmo. Estou na minha casa, com meus pais e minha irmã, onde o ambiente é maravilhoso. Mas, há algo que não se encaixa, e concluo que tenho essas coisas quando volto pra casa, como se um pedaço de mim voltasse a respirar, fugindo de uma vida semi mecânica, mas que gosto muito.
Hoje (ainda é 23:59) faz uma semana que um homem da minha cidade morreu. Não o conheço, não conheço sua família, mas sei que ele tem dois filhos (acho), entre eles uma menina que não deve nem imaginar que eu existo, mas que eu a conheço, de certa forma. Ela figurou um determinado evento que acontece de tempos em tempos aqui, e como ela sempre estudou em escolas de turmas pequenas é fácil reconhecer. Enfim, o pai dela morreu. Como eu disse, não a conheço, ela não me conhece, mas rezei por ela e pela mãe dela, para que o sofrimento não se alastrasse mais que o necessário. Ao que parecia, ela tinha uma vida ótima, linda, cheia de amigos, festas, pessoas legais, bons colégios. No entanto, o pai dela não está mais aqui, e isso me fez pensar em várias coisas.
Por que algumas pessoas precisam passar por isso? Será que suas vidas realmente mudarão depois, será que serão pessoas 'melhores'? Será que para ser melhor é preciso perder um pai ou uma mãe, para que dessa forma algo amadureça em suas almas e seus corações?
Comparando grosseiramente, é como algumas pessoas mais velhas dizem que embora a ditadura militar no Brasil tenha existido, muito progresso se fez. Mas, será que para ter progresso é preciso tanta violência, tantas mortes, tantos desaparecidos?
Eu sei, essa é a 'ordem natural' das coisas, onde os pais, teoricamente, morrem antes dos filhos. Mas, não consigo deixar de pensar nas lágrimas e no sofrimento de quem passa por isso. Inevitável não se colocar no lugar, não imaginar isso acontecendo consigo. Pior, o sofrimento dos outros escorre pra mim. Tem gente que se emociona com livros. Tem gente que se emociona com filmes que cachorros morrem. Já eu, não consigo ser indiferente ao sofrimento humano, como aconteceu quando assisti Frida.
E se a morte de quem é muito importante para outro alguém fizer diferença, se ela for evitada, é possível que a mudança ocorra? Falando em Frida, confesso que seus quadros são perturbadores para mim. Não consigo vê-los sem sentir pregos na garganta, como se proliferassem espinhos em mim. Talvez, se ela não tivesse sofrido o acidente, se achasse alguém mais legal que Diego Rivera para viver, a sua genialidade ficaria em estado de latência. Jamais teria feito quadros com tanto sofrimento, sentimento, emoção. Ou, talvez não.
Talvez esteja na hora de eu parar de dar tanto murro em ponta de faca. Aceitar que algumas coisas precisam acontecer. Aceitar que não posso mudar algumas coisas. Aceitar que algumas pessoas não vão falar com você, não te darão nem boa noite.
O problema é que isso não faz parte de mim. Sou instável, explosiva, contestadora, indignada e além de tudo, de leão. Meu pior defeito sempre foi ir atrás do impossível, aguentar. Eu acredito na mudança das coisas. Acredito que somos donos dos nossos destinos. Não acredito que joguinhos funcionem. Mas, talvez esteja na hora de enfrentar as coisas como são, enfrentar os quadros de Frida Kahlo, travar mais uma guerra contra mim mesma. Não ter medo do que pode acontecer, sair com a certeza de que fiz o meu melhor. E sim, dane-se a opinião alheia.